quarta-feira, 23 de maio de 2012

Só entro no jogo porque estou mesmo depois de esgotar o tempo regulamentar

 Oi, filha!

Há muito tempo não escrevo. Mas não houve um dia em que não pensasse em você. Estou bem. Casado. Empregado. E tenho duas gatinhas lindas que quero muito que você conheça. Quero que você participe da minha vida, assim como quero participar da sua. E acho que isso está muito perto de acontecer. Porque Deus é Bom!

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos de me enganar
Como fiz enganos de me encontrar
Como fiz estradas de me perder
Fiz de tudo
E nada de te esquecer...

(Sabiá – Tom Jobim e Chico Buarque)

Na mesa de centro da minha sala há um porta-retrato com sua foto. Uma foto recente. Hoje, quando sonho contigo, você não tem mais 2 anos de idade. Você é uma linda mocinha de nove anos. Eu te amo!

Tudo vai dar certo!

domingo, 8 de agosto de 2010

A dor da gente não sai no jornal

Sempre que sonho com você, você ainda tem dois anos de idade.

Eu queria tanto poder te abraçar...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Com você meu mundo ficaria completo

Saudades.

Depois de tanto tempo sem escrever, nem lembrava mais a senha. Tenho trabalhado muito. Oh, sim eu estou tão cansado... Porém, quase feliz.

Praticamente casado, moro na zona sul do Rio. Sua madrasta é a mulher mais bacana que eu poderia arrumar na vida. Você vai gostar muito dela o dia que conhecê-la. Estamos juntos há mais de um ano. Ela é inteligentíssima, lindíssima e todos os adjetivos utilizados no superlativo absoluto sintético ficam aquém ao tentar designar uma pessoa tão repleta de alma.

Eu me formo esse ano, estou bem empregado, novos projetos surgindo, novos velhos amigos. Depois de tanto tempo sem escrever, escrevo sem pensar muito. Escrevo imaginando que você está na minha frente e que tenho a oportunidade de falar tudo que estes anos de afastamento impediram. E ainda impedem. Não por incompetência minha, mas por excesso de competência de terceiros. Terceiros estes que não quero mais perder tempo.

Quero falar muito. Quero falar tudo. Como o personagem da música "Bye, bye Brasil", do Chico Buarque. Quero saber como você está, quero contar que sua bisavó andou mal (mas já está bem, graças a Deus!), quero ver seus trabalhos da escola, conhecer seus amigos, te abraçar e, fundamentalmente, dizer que te amo. E que distância alguma...

Quero te ensinar que reticências nuitas vezes nos salvam do discurso piegas.

Quase feliz. Porque falta você para o meu mundo ficar completo. Eu te amo sempre.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Riscos

Tentei procurar sua mãe no começo desse ano. Tentei me aproximar. E as coisas foram confusas. Para mim, principalmente. As mágoas são muitas. A verdade de um é mais verdadeira que a verdade do outro. Foram poucas palavras virtuais. Porém, suficientes para notarmos o despreparo para um possível reencontro e a total imaturidade quando o assunto somos nós – sua mãe e eu. Sei que sua mãe sabe sobre mim. E eu nada sei dela. Sei que ela ainda acompanha minha vida como se fosse uma novela de Manoel Carlos. E fazer o mesmo não me é concedido. Mas também nem quero mais. Estou cansado, sabe? E, nessa História de Amor, perdemos todos. Ela perde. Eu perco. Você perde mais que nós dois.

Se você vai me cobrar isso um dia? Sinceramente, espero que sim. Nunca te rejeitei, minha filha. Minha amada filha. Sei que hoje corro o risco de te perder para sempre. Mas eu arrisco. Arrisco porque tenho certeza que Deus é bom. E que alguma Justiça me cabe nesse mundo. Arrisco porque confio em sua inteligência, afinal você é minha filha. Confio que você vai saber discernir. E que quando toda essa tormenta passar, além de seu pai, eu serei mais, muito mais que um amigo.

Eu te amo.

Não seja por isso
Eu não tenho pressa
Eu posso esperar vidas inteiras
Mas tenha certeza de que lhe interessa
Deixar escapar o ouro do agora
Para que não seja numa tarde dessas
Tarde demais
(Vidas inteiras – Adriana Calcanhotto)

domingo, 10 de agosto de 2008

Você foi meu herói, meu bandido...

Segundo domingo de agosto. Nos últimos quatro anos, o pior dia do ano para mim. Eu me sinto um hipocratão quando alguém me parabeniza pelo Dia dos Pais. Eu não me sinto merecedor dessa congratulação. Apesar de, honestamente, achar que a mereço. Eis aí a diferença entre os verbos achar e sentir. Olha como eu me auto-saboto!

Nunca pensei que fosse citar Renato Russo para você num clichezão federal. Mas ele diz numa letra de música: “você culpa seus pais por tudo e isso é um absurdo / são crianças como você / o que você vai ser quando você crescer...” Enxergar essa canção pelo prisma do pai, quando sempre me vi como o filho, é muito revelador. É quase um pedido humilde de desculpas. Tipo, “olha, eu to assustado, você veio sem manual. você pode não entender minha atitude agora, mas um dia, se Deus quiser, você vai ter filhos e aí tudo ficará mais claro, assim espero. quer uma coca-cola?”.

Digressões. Não era bem sobre isso que queria falar. Mas acho auto-sabotagem deletar tudo que escrevi até agora. Esse sou eu. Essa é a minha história. Essa é a minha verdade. Quero, cada vez mais, me desfazer de redundâncias.

Meu mecanismo de defesa é o humor. Escrevo textos de humor e atuo sobre e sob o humor. No palco e na vida. O humor me ajudou muito a enfrentar agruras impostas. Filha, se não fosse humor...

Como sobreviver uma missa de Dia dos Pais – o primeiro que eu passava sem você – em que fui obrigado por amigos a subir no altar com outros pais, enquanto o padre aplicava um sermão bonitinho (seria um serminho?) ao som de "Pai" de Fabio Jr. ao fundo? Foi um chororô na assembléia. E eu me controlando... para não rir! Porque se for na onda de Fabio Jr., a pessoa entra numa que pra sair é phoda com pê agá de pharmácia.



Rir é terapêutico, rir é o melhor remédio, o humor é minha redenção, etecetera e outros jargões do gênero. Procuro não sair desse mundo particular que criei e que é minha fuga assumida. Nem sempre dá certo. Porque de noite na cama eu fico pensando se você me ama... e quando?

Permnita-me mais essa redundância.

domingo, 20 de julho de 2008

Feliz o destino do inocente vestal...

Sexta feira foi aniversário de Sumain. Será que ela continua não gostando de aniversários? Não me interessa. Mesmo.

Mas eu resolvi escrever porque lembrei de um troço bacana e que eu acho legal que você saiba. Para que você veja que não sou nenhum filho da puta e que no peito desse desafinado também bate um coração.

Sumain estava grávida de aprox
imadamente seis meses em julho de 2002. Sua família resolveu fazer uma festa surpresa para ela. A intenção foi ótima, mas uma pessoa que não gosta de aniversário não passará a gostar apenas por estar grávida. Ou seja, a sensibilidade estava potencializada no grau máximo. Era a crônica do desastre anunciado.

Quando eu cheguei na sua casa, com uma lata de Sonhos de Valsa, o circo já estava armado. Mas algo de muito bom aconteceu. E é esse algo de bom que aconteceu que eu quero que você saiba.

Foi uma cena de filme, filha. Sumain desceu correndo as escadas, jogou-se nos meus braços e pediu "peloamordedeus" que eu a tirasse dali. Poucas vezes eu me senti tão amado e responsável como naquele dia. Ela depositava em mim, naquele momento, toda sua confiança. Eu poderia levá-la para qualquer lugar. Copacabana, fim do mundo, Inhoaíba, Ilha de Lost, Onde o vento faz a curva, Onde Judas perdeu as botas. Ela iria comigo para qualquer lugar. Como foi especial aquele momento.

Mas não levei Sumain a lugar algum. Eu consegui acalmá-la e voltamos para a festa.

Será que ela lembra disso? De que em algum momento nós fomos importantes um para o outro? Eu lembro. E fico puto comigo por lembrar. Às vezes eu quero que aconteça um "brilho eterno de uma mente sem lembranças" comigo, uma porra de um Alzheimer seletivo que me livre da triste condição de personagem de música do Rei Roberto:

"Eu sei que o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não esqueci..."

Mudando de assunto. Algo muito mais importante e solene. Soube que você está na escola. Parabéns. Espero que você goste, que seja estudiosa e responsável. Que não ligue para os implicantes e cruéis coleguinhas que sentam lá atrás. Que você NÃO seja a coleguinha cruel e implicante que senta lá atrás. E aproveite a fase, pois passa rápido.

Por mais que eu esteja longe, acho importante que você conheça as produções literárias, folclóricas e culturais feitas para as crianças aqui no Brasil. Quero que você seja influenciada por gente boa. Ziraldo e O Menino Maluquinho, Maurício de Sousa e a Turma da Mônica, Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-Pau Amarelo, etc. Aqui no Brasil nós temos muitas histórias para contar, filha. Nossa cultura é muito rica.

Farei com que esse material chegue até você. Não sei como ainda. Mas farei. Quero muito que você assista Hoje é Dia de Maria.

Por ora, deixo para você esse vídeo muito bonitinho feito pelo tio VJ, companheiro de trabalho do papai. É a Ciranda da Bailarina, uma música engraçada do Chico Buarque.

beijosteamoatébreve!




Ps 1.: Eu tenho certeza que Sumain lembra.
Ps 2.: Será que você já viu Monstros S.A.? Papai viu. E chorou. Maior micão, filha.
Ps 3.: Lembro de certas coisas de vez em quando. De você, eu lembro todos os dias. E cada vez que lembro ou escrevo me sinto mais próximo. Amo você, filha!

sábado, 10 de maio de 2008

Em que espelho ficou perdida a minha face?



"As diferenças não podem ser maiores que os afetos."

Essa frase não sai da minha cabeça. E eu queria ter forças para fazer valer essa máxima.

Tenho andado triste. E com a ligeira impressão de não amar ninguém. Parece incrível.

Piegas pra caralho. Ceciliameireleando:

"Adormece o teu corpo com a música
da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quere ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca-te pelo Desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?"

Sabe qual é o meu maior medo, filha?

Perdoar.

Ps.: Acabo de receber um telefonema. Era a N. pedindo um tempo no namoro. Tempo de cu é rola. Não disse isso com essas palavras, mas me fiz entender. The end.