Segundo domingo de agosto. Nos últimos quatro anos, o pior dia do ano para mim. Eu me sinto um hipocratão quando alguém me parabeniza pelo Dia dos Pais. Eu não me sinto merecedor dessa congratulação. Apesar de, honestamente, achar que a mereço. Eis aí a diferença entre os verbos achar e sentir. Olha como eu me auto-saboto!
Nunca pensei que fosse citar Renato Russo para você num clichezão federal. Mas ele diz numa letra de música: “você culpa seus pais por tudo e isso é um absurdo / são crianças como você / o que você vai ser quando você crescer...” Enxergar essa canção pelo prisma do pai, quando sempre me vi como o filho, é muito revelador. É quase um pedido humilde de desculpas. Tipo, “olha, eu to assustado, você veio sem manual. você pode não entender minha atitude agora, mas um dia, se Deus quiser, você vai ter filhos e aí tudo ficará mais claro, assim espero. quer uma coca-cola?”.
Digressões. Não era bem sobre isso que queria falar. Mas acho auto-sabotagem deletar tudo que escrevi até agora. Esse sou eu. Essa é a minha história. Essa é a minha verdade. Quero, cada vez mais, me desfazer de redundâncias.
Meu mecanismo de defesa é o humor. Escrevo textos de humor e atuo sobre e sob o humor. No palco e na vida. O humor me ajudou muito a enfrentar agruras impostas. Filha, se não fosse humor...
Como sobreviver uma missa de Dia dos Pais – o primeiro que eu passava sem você – em que fui obrigado por amigos a subir no altar com outros pais, enquanto o padre aplicava um sermão bonitinho (seria um serminho?) ao som de "Pai" de Fabio Jr. ao fundo? Foi um chororô na assembléia. E eu me controlando... para não rir! Porque se for na onda de Fabio Jr., a pessoa entra numa que pra sair é phoda com pê agá de pharmácia.
Rir é terapêutico, rir é o melhor remédio, o humor é minha redenção, etecetera e outros jargões do gênero. Procuro não sair desse mundo particular que criei e que é minha fuga assumida. Nem sempre dá certo. Porque de noite na cama eu fico pensando se você me ama... e quando?
Permnita-me mais essa redundância.
domingo, 10 de agosto de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Feliz o destino do inocente vestal...
Sexta feira foi aniversário de Sumain. Será que ela continua não gostando de aniversários? Não me interessa. Mesmo.
Mas eu resolvi escrever porque lembrei de um troço bacana e que eu acho legal que você saiba. Para que você veja que não sou nenhum filho da puta e que no peito desse desafinado também bate um coração.
Sumain estava grávida de aproximadamente seis meses em julho de 2002. Sua família resolveu fazer uma festa surpresa para ela. A intenção foi ótima, mas uma pessoa que não gosta de aniversário não passará a gostar apenas por estar grávida. Ou seja, a sensibilidade estava potencializada no grau máximo. Era a crônica do desastre anunciado.
Quando eu cheguei na sua casa, com uma lata de Sonhos de Valsa, o circo já estava armado. Mas algo de muito bom aconteceu. E é esse algo de bom que aconteceu que eu quero que você saiba.
Foi uma cena de filme, filha. Sumain desceu correndo as escadas, jogou-se nos meus braços e pediu "peloamordedeus" que eu a tirasse dali. Poucas vezes eu me senti tão amado e responsável como naquele dia. Ela depositava em mim, naquele momento, toda sua confiança. Eu poderia levá-la para qualquer lugar. Copacabana, fim do mundo, Inhoaíba, Ilha de Lost, Onde o vento faz a curva, Onde Judas perdeu as botas. Ela iria comigo para qualquer lugar. Como foi especial aquele momento.
Mas não levei Sumain a lugar algum. Eu consegui acalmá-la e voltamos para a festa.
Será que ela lembra disso? De que em algum momento nós fomos importantes um para o outro? Eu lembro. E fico puto comigo por lembrar. Às vezes eu quero que aconteça um "brilho eterno de uma mente sem lembranças" comigo, uma porra de um Alzheimer seletivo que me livre da triste condição de personagem de música do Rei Roberto:
"Eu sei que o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não esqueci..."
Mudando de assunto. Algo muito mais importante e solene. Soube que você está na escola. Parabéns. Espero que você goste, que seja estudiosa e responsável. Que não ligue para os implicantes e cruéis coleguinhas que sentam lá atrás. Que você NÃO seja a coleguinha cruel e implicante que senta lá atrás. E aproveite a fase, pois passa rápido.
Por mais que eu esteja longe, acho importante que você conheça as produções literárias, folclóricas e culturais feitas para as crianças aqui no Brasil. Quero que você seja influenciada por gente boa. Ziraldo e O Menino Maluquinho, Maurício de Sousa e a Turma da Mônica, Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-Pau Amarelo, etc. Aqui no Brasil nós temos muitas histórias para contar, filha. Nossa cultura é muito rica.
Farei com que esse material chegue até você. Não sei como ainda. Mas farei. Quero muito que você assista Hoje é Dia de Maria.
Por ora, deixo para você esse vídeo muito bonitinho feito pelo tio VJ, companheiro de trabalho do papai. É a Ciranda da Bailarina, uma música engraçada do Chico Buarque.
beijosteamoatébreve!
Ps 1.: Eu tenho certeza que Sumain lembra.
Ps 2.: Será que você já viu Monstros S.A.? Papai viu. E chorou. Maior micão, filha.
Ps 3.: Lembro de certas coisas de vez em quando. De você, eu lembro todos os dias. E cada vez que lembro ou escrevo me sinto mais próximo. Amo você, filha!
Mas eu resolvi escrever porque lembrei de um troço bacana e que eu acho legal que você saiba. Para que você veja que não sou nenhum filho da puta e que no peito desse desafinado também bate um coração.
Sumain estava grávida de aproximadamente seis meses em julho de 2002. Sua família resolveu fazer uma festa surpresa para ela. A intenção foi ótima, mas uma pessoa que não gosta de aniversário não passará a gostar apenas por estar grávida. Ou seja, a sensibilidade estava potencializada no grau máximo. Era a crônica do desastre anunciado.
Quando eu cheguei na sua casa, com uma lata de Sonhos de Valsa, o circo já estava armado. Mas algo de muito bom aconteceu. E é esse algo de bom que aconteceu que eu quero que você saiba.
Foi uma cena de filme, filha. Sumain desceu correndo as escadas, jogou-se nos meus braços e pediu "peloamordedeus" que eu a tirasse dali. Poucas vezes eu me senti tão amado e responsável como naquele dia. Ela depositava em mim, naquele momento, toda sua confiança. Eu poderia levá-la para qualquer lugar. Copacabana, fim do mundo, Inhoaíba, Ilha de Lost, Onde o vento faz a curva, Onde Judas perdeu as botas. Ela iria comigo para qualquer lugar. Como foi especial aquele momento.
Mas não levei Sumain a lugar algum. Eu consegui acalmá-la e voltamos para a festa.
Será que ela lembra disso? De que em algum momento nós fomos importantes um para o outro? Eu lembro. E fico puto comigo por lembrar. Às vezes eu quero que aconteça um "brilho eterno de uma mente sem lembranças" comigo, uma porra de um Alzheimer seletivo que me livre da triste condição de personagem de música do Rei Roberto:
"Eu sei que o coração perdoa
Mas não esquece à toa
E eu não esqueci..."
Mudando de assunto. Algo muito mais importante e solene. Soube que você está na escola. Parabéns. Espero que você goste, que seja estudiosa e responsável. Que não ligue para os implicantes e cruéis coleguinhas que sentam lá atrás. Que você NÃO seja a coleguinha cruel e implicante que senta lá atrás. E aproveite a fase, pois passa rápido.
Por mais que eu esteja longe, acho importante que você conheça as produções literárias, folclóricas e culturais feitas para as crianças aqui no Brasil. Quero que você seja influenciada por gente boa. Ziraldo e O Menino Maluquinho, Maurício de Sousa e a Turma da Mônica, Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-Pau Amarelo, etc. Aqui no Brasil nós temos muitas histórias para contar, filha. Nossa cultura é muito rica.
Farei com que esse material chegue até você. Não sei como ainda. Mas farei. Quero muito que você assista Hoje é Dia de Maria.
Por ora, deixo para você esse vídeo muito bonitinho feito pelo tio VJ, companheiro de trabalho do papai. É a Ciranda da Bailarina, uma música engraçada do Chico Buarque.
beijosteamoatébreve!
Ps 1.: Eu tenho certeza que Sumain lembra.
Ps 2.: Será que você já viu Monstros S.A.? Papai viu. E chorou. Maior micão, filha.
Ps 3.: Lembro de certas coisas de vez em quando. De você, eu lembro todos os dias. E cada vez que lembro ou escrevo me sinto mais próximo. Amo você, filha!
sábado, 10 de maio de 2008
Em que espelho ficou perdida a minha face?
"As diferenças não podem ser maiores que os afetos."
Essa frase não sai da minha cabeça. E eu queria ter forças para fazer valer essa máxima.
Tenho andado triste. E com a ligeira impressão de não amar ninguém. Parece incrível.
Piegas pra caralho. Ceciliameireleando:
"Adormece o teu corpo com a música
da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quere ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca-te pelo Desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti?"
Sabe qual é o meu maior medo, filha?
Perdoar.
Ps.: Acabo de receber um telefonema. Era a N. pedindo um tempo no namoro. Tempo de cu é rola. Não disse isso com essas palavras, mas me fiz entender. The end.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Aquele verso menino que escrevi há tantos anos atrás
Sou tão canastrão que muitas vezes acho que uma música pode falar por mim.
Ao terminar com Suamain, mandei uma música do Chico para ela. Um ato de civilidade que julguei possível. Ledo engano. 'ledo engano' é feio pra caralho. Mas a verdade nem sempre é bonita. Então mantenho o 'ledo engano'. Meados de 2004. Mandei a música. Suamain não entendeu. Então mandei a música explicando como nossa vida encaixava-se naquela letra, estrofe por estrofe:
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
"Tentei de todas as maneiras,atento,manter o que nos unia vivo. E o que nos unia? O amor"
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
"Tentei achar uma maneira de te amar, com a urgência de quem vive e a lentidão de quem quer aproveitar cada momento"
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
"Tudo que o tempo destrói, mais cedo ou mais tarde,ele constrói novamente.A nossa história é exemplo disso,já que não tenho mais mágoas.E espero que você também não.A única coisa que o tempo esqueceu de avisar a gente é quando vai reconstruir."
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
"O tempo faz com que a gente recolha o sentimento e o próprio tempo,se for o caso,nos traz o mesmo sentimento,porém mais maduro,de volta."
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente,doente
"Já que não tem mais jeito. Foi o tempo de aproveitar (até o amor cair doente). Tudo que vem em excesso ou a falta de amor em excesso, é prejudicial."
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
"É melhor dar um tempo agora pra que não haja mais mágoas em nossa história. Não é uma separação brusca. É consciente.Uma escolha."
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
"Já que escolhemos nos perdermos, temos que arcar com as conseqüências. E se tiver que ser,daqui há algum tempo,nos reencontraremos mais a frente - no tempo da delicadeza. Se um dia esse tempo chegar."
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado ao lado seu
"Essa última parte eu não preciso explicar,né?"
Beijos de quem te ama
JQ
Quatro anos depois acho que ela continua sem entender. E eu só publiquei essa mensagem porque o amor em questão, ou a falta dele, é universal. Não tem nada de particular. Não dá nome aos bois.
Hoje eu faço Letras.
Ao terminar com Suamain, mandei uma música do Chico para ela. Um ato de civilidade que julguei possível. Ledo engano. 'ledo engano' é feio pra caralho. Mas a verdade nem sempre é bonita. Então mantenho o 'ledo engano'. Meados de 2004. Mandei a música. Suamain não entendeu. Então mandei a música explicando como nossa vida encaixava-se naquela letra, estrofe por estrofe:
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
"Tentei de todas as maneiras,atento,manter o que nos unia vivo. E o que nos unia? O amor"
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
"Tentei achar uma maneira de te amar, com a urgência de quem vive e a lentidão de quem quer aproveitar cada momento"
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
"Tudo que o tempo destrói, mais cedo ou mais tarde,ele constrói novamente.A nossa história é exemplo disso,já que não tenho mais mágoas.E espero que você também não.A única coisa que o tempo esqueceu de avisar a gente é quando vai reconstruir."
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
"O tempo faz com que a gente recolha o sentimento e o próprio tempo,se for o caso,nos traz o mesmo sentimento,porém mais maduro,de volta."
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente,doente
"Já que não tem mais jeito. Foi o tempo de aproveitar (até o amor cair doente). Tudo que vem em excesso ou a falta de amor em excesso, é prejudicial."
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
"É melhor dar um tempo agora pra que não haja mais mágoas em nossa história. Não é uma separação brusca. É consciente.Uma escolha."
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
"Já que escolhemos nos perdermos, temos que arcar com as conseqüências. E se tiver que ser,daqui há algum tempo,nos reencontraremos mais a frente - no tempo da delicadeza. Se um dia esse tempo chegar."
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado ao lado seu
"Essa última parte eu não preciso explicar,né?"
Beijos de quem te ama
JQ
Quatro anos depois acho que ela continua sem entender. E eu só publiquei essa mensagem porque o amor em questão, ou a falta dele, é universal. Não tem nada de particular. Não dá nome aos bois.
Hoje eu faço Letras.
sábado, 5 de janeiro de 2008
O medo de amar...
Eu estava fugindo de escrever. Uma preguiça. Esse negócio de contar as coisas sem contar é complicado. E cansativo também.
O ano acabou e eu não tenho do que reclamar. Correr atrás do que eu queria valeu à pena. 2007 me deu uma namorada nova. A mais linda de todas. Encontrei nela coisas que em mim haviam ficado esquecidas. Que eu perdi na poeira do tempo. Uma felicidade que dá até medo. E o medo de amar é o medo de ser livre.
Uma faculdade nova me proporcionou um emprego foda. Na verdade, é um estágio. Mas, como aprendi em um programa de Alexandre Machado e Fernanda Young – Os Aspones:
"– Eu não sou estagiário. Eu estou estagiário. Eu sou muito velho pra ser estagiário."
E terminei o ano, praticamente, dez quilos mais gordo. Mas continuo sendo magro. Revi velhos amigos. E também fiz as pazes com o sol. Lá no Arpoador. N., minha namorada, mediou esse reencontro. E foi bom. Acho que não ia à praia durante o dia desde o tempo que Suamãe e eu largávamos tudo e levávamos você para o Recreio dos Bandeirantes no meu Gol caixinha branco.
29 de dezembro de 2007. Dentro do ônibus, não lembro se em Botafogo ou Copacabana, passei por uma lojinha chamada SPE – O spa dos pés. Fiquei puto.
Tenho pensado muito em você ultimamente. Rezo para que você esteja bem e que tenha um bom ano.
"de noite na cama eu fico pensando
se você me ama e quando
de dia eu faço graça pra não dar bandeira
não deixo você ver
de dia tudo passa como brincadeira
por longe de você
por onde você mora, pára e se demora
por ora nçao vou ter coragem de dizer
mas há de haver a hora
se você for embora, agora
de noite na cama eu fico pensando
se você me ama e quando..."
(Caetano Veloso)
Eu te amo tanto, filha.
O ano acabou e eu não tenho do que reclamar. Correr atrás do que eu queria valeu à pena. 2007 me deu uma namorada nova. A mais linda de todas. Encontrei nela coisas que em mim haviam ficado esquecidas. Que eu perdi na poeira do tempo. Uma felicidade que dá até medo. E o medo de amar é o medo de ser livre.
Uma faculdade nova me proporcionou um emprego foda. Na verdade, é um estágio. Mas, como aprendi em um programa de Alexandre Machado e Fernanda Young – Os Aspones:
"– Eu não sou estagiário. Eu estou estagiário. Eu sou muito velho pra ser estagiário."
E terminei o ano, praticamente, dez quilos mais gordo. Mas continuo sendo magro. Revi velhos amigos. E também fiz as pazes com o sol. Lá no Arpoador. N., minha namorada, mediou esse reencontro. E foi bom. Acho que não ia à praia durante o dia desde o tempo que Suamãe e eu largávamos tudo e levávamos você para o Recreio dos Bandeirantes no meu Gol caixinha branco.
29 de dezembro de 2007. Dentro do ônibus, não lembro se em Botafogo ou Copacabana, passei por uma lojinha chamada SPE – O spa dos pés. Fiquei puto.
Tenho pensado muito em você ultimamente. Rezo para que você esteja bem e que tenha um bom ano.
"de noite na cama eu fico pensando
se você me ama e quando
de dia eu faço graça pra não dar bandeira
não deixo você ver
de dia tudo passa como brincadeira
por longe de você
por onde você mora, pára e se demora
por ora nçao vou ter coragem de dizer
mas há de haver a hora
se você for embora, agora
de noite na cama eu fico pensando
se você me ama e quando..."
(Caetano Veloso)
Eu te amo tanto, filha.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Partidas
No último fim de semana fui no chá de bebê de um casal de conhecidos da época em que eu coordenava crisma. Pois é, filha. Mais essa. Seu pai já foi coordenador de crisma. Foi uma época boa e que me ajudou em muita coisa.
Mas rever essa gente foi esquisito pra caralho. Porque todo mundo continua na mesma vidinha suburbana, preferindo ser o rei no morro a tentar uma vida melhor. E todos alguns quilos mais gordos. Aliás, o marido da grávida parecia mais grávido que a própria grávida.
Pior é quando começam a perguntar de você. Aí é foda. E eu não minto. Falo que eu não te vejo. Uns fazem uma cara de 'ahhh... que pena'. O que é muito chato. Outros se revoltam. E esses são mais chatos ainda porque se acham em pleno direito de dar pitacos na minha vida. Agora você vê se eu vou dar essa moral. No começo eu dava. Explicava tim-tim por tim-tim o que tinha acontecido, porque eu tinha vazado. Mas depois, cansei. A essa altura do campeonato, a gente fica escaldado. Porque por mais que se explique, quando não estou por perto o que dizem é: 'esse cara é maluco. abandonou a filha'.
Com o tempo eu aprendi que só devo satisfações a você. E minha porta vai estar sempre aberta para quando quiseres saber a minha verdade. Ou ver os processos judiciais que provam até onde eu consegui lutar. Essa história pertence somente a nós dois, filha.
Mas o que foi mais engraçado é que, apesar de a comida estar muito boa, a festa estava um tanto quanto parada. O que é que eu fiz? Acendi meu cigarro – no meio daquela cambada de hipócritas – e baforejei nicotina nos cornos de todo mundo. Alguém ainda perguntou: 'você agora fuma?' E uma amiga respondeu: 'sempre fumou. mas agora não esconde mais'.
Eu falo assim, mas são pessoas bacanas. Mas aquela vida não é pra mim. Eu quero mais e vou atrás disso. O mais difícil foi ter que parar de te ver. Depois disso, partir nunca mais foi um problema. Vou embora com muita facilidade.
Confesso que os invejo porque eles beijam seus filhos antes de dormir. Porém, eu permaneço magro e bonito. E sonho com você quase toda semana.
Mas rever essa gente foi esquisito pra caralho. Porque todo mundo continua na mesma vidinha suburbana, preferindo ser o rei no morro a tentar uma vida melhor. E todos alguns quilos mais gordos. Aliás, o marido da grávida parecia mais grávido que a própria grávida.
Pior é quando começam a perguntar de você. Aí é foda. E eu não minto. Falo que eu não te vejo. Uns fazem uma cara de 'ahhh... que pena'. O que é muito chato. Outros se revoltam. E esses são mais chatos ainda porque se acham em pleno direito de dar pitacos na minha vida. Agora você vê se eu vou dar essa moral. No começo eu dava. Explicava tim-tim por tim-tim o que tinha acontecido, porque eu tinha vazado. Mas depois, cansei. A essa altura do campeonato, a gente fica escaldado. Porque por mais que se explique, quando não estou por perto o que dizem é: 'esse cara é maluco. abandonou a filha'.
Com o tempo eu aprendi que só devo satisfações a você. E minha porta vai estar sempre aberta para quando quiseres saber a minha verdade. Ou ver os processos judiciais que provam até onde eu consegui lutar. Essa história pertence somente a nós dois, filha.
Mas o que foi mais engraçado é que, apesar de a comida estar muito boa, a festa estava um tanto quanto parada. O que é que eu fiz? Acendi meu cigarro – no meio daquela cambada de hipócritas – e baforejei nicotina nos cornos de todo mundo. Alguém ainda perguntou: 'você agora fuma?' E uma amiga respondeu: 'sempre fumou. mas agora não esconde mais'.
Eu falo assim, mas são pessoas bacanas. Mas aquela vida não é pra mim. Eu quero mais e vou atrás disso. O mais difícil foi ter que parar de te ver. Depois disso, partir nunca mais foi um problema. Vou embora com muita facilidade.
Confesso que os invejo porque eles beijam seus filhos antes de dormir. Porém, eu permaneço magro e bonito. E sonho com você quase toda semana.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
A Menina Dança
Quero que você saiba que eu sou um escroto. Mas um escroto do bem. Um escroto com referências. Que vai de Eduardo Galeano à Fernanda Young. Que é louco por Elis Regina. Que adora ler, escrever e fazer humor.
Sou fumante, flamenguista e preto. Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã.
Sei que não é a melhor maneira de um pai se apresentar para uma filha. Não sei quantos anos você vai ter quando ler essas 'mal traçadas linhas'. Não sei nem se vai ler. Mas foi uma forma que eu encontrei de estar próximo de você. A maneira de você saber um pouco mais de mim. E o quanto eu te amo.
A última vez que estivemos juntos, passamos a manhã numa delegacia. Você tinha quase dois anos e brincava naquele lugar. Inocente. E quando eu olhei pra você, linda de amarelo, não sei porque me veio a intuição que ficaríamos muito tempo sem contato. Um exílio imposto pelas circunstâncias. E foi o que aconteceu. Faz três anos que não nos vemos. Ainda te vi, mais duas vezes, de longe. No começo eu achei que fosse morrer de dor e ódio. Mas depois foi passando... o ruim da vida é isso, filha. A gente se acostuma a tudo. É horrível essa constatação. Mas infelizmente é verídica.
Por outro lado, a gente aprende que tudo pode passar. Mas o amor fica. E eu te amo mesmo de longe.
Porque quando fecho meus olhos, a minha menina ainda dança.
Eu poderia ter sido o melhor pai do mundo se eu não tivesse permitido que me vilipendiassem esse direito.
"Quando eu cheguei tudo tudo tudo estava virado
Apenas viro e me viro mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque estou mesmo depois
Depois de esgotar o tempo regulamentar
De um lado o olho e o desaforo e o que diz o meu nariz arrebitado
Que não levo pra casa, mas se você vem perto eu vou lá, eu vou lá
No canto, no cisco, no canto do olho a menina dança
Dentro da menina, a menina dança
E se você fecha o olho a menina ainda dança
Dentro da menina ainda dança
Até o sol raiar, até o sol raiar
Até dentro de você nascer, nascer o que há
Quando eu cheguei tudo, tudo, tudo, tudo estava virado
Apenas viro e me viro mas eu mesma viro os olhinhos..."
(Moraes Moreira/Galvão)
Sou fumante, flamenguista e preto. Faço samba e amor até mais tarde e tenho muito sono de manhã.
Sei que não é a melhor maneira de um pai se apresentar para uma filha. Não sei quantos anos você vai ter quando ler essas 'mal traçadas linhas'. Não sei nem se vai ler. Mas foi uma forma que eu encontrei de estar próximo de você. A maneira de você saber um pouco mais de mim. E o quanto eu te amo.
A última vez que estivemos juntos, passamos a manhã numa delegacia. Você tinha quase dois anos e brincava naquele lugar. Inocente. E quando eu olhei pra você, linda de amarelo, não sei porque me veio a intuição que ficaríamos muito tempo sem contato. Um exílio imposto pelas circunstâncias. E foi o que aconteceu. Faz três anos que não nos vemos. Ainda te vi, mais duas vezes, de longe. No começo eu achei que fosse morrer de dor e ódio. Mas depois foi passando... o ruim da vida é isso, filha. A gente se acostuma a tudo. É horrível essa constatação. Mas infelizmente é verídica.
Por outro lado, a gente aprende que tudo pode passar. Mas o amor fica. E eu te amo mesmo de longe.
Porque quando fecho meus olhos, a minha menina ainda dança.
Eu poderia ter sido o melhor pai do mundo se eu não tivesse permitido que me vilipendiassem esse direito.
"Quando eu cheguei tudo tudo tudo estava virado
Apenas viro e me viro mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque estou mesmo depois
Depois de esgotar o tempo regulamentar
De um lado o olho e o desaforo e o que diz o meu nariz arrebitado
Que não levo pra casa, mas se você vem perto eu vou lá, eu vou lá
No canto, no cisco, no canto do olho a menina dança
Dentro da menina, a menina dança
E se você fecha o olho a menina ainda dança
Dentro da menina ainda dança
Até o sol raiar, até o sol raiar
Até dentro de você nascer, nascer o que há
Quando eu cheguei tudo, tudo, tudo, tudo estava virado
Apenas viro e me viro mas eu mesma viro os olhinhos..."
(Moraes Moreira/Galvão)
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